O Rodrigo

 

Olá eu sou o Rodrigo decidi nascer às 24 semanas, 28 centímetros, 640 gramas, sem batimentos cardíacos e totalmente infectado, fui para a casinha transparente... o primeiro a

ir-me conhecer foi o meu papá até assustou-se quando chamaram para

ir me ver,meu papá ficou muito emocionado,assustado nunca tinha visto um bebé tão pequenino e tao fragil, a mamã so conheci no dia seguinte pois ela teve uma grande hemorragia,a minha mamã chorou muito teve uma mistura de sentimentos, vieram os tios a dizer a minha situação, as primeiras horas eram cruciais, se fazia chichi,se fazia cocó, para respirar precisei de um respirador de alta frequência, logo em seguida vieram os diagnósticos:

prematuridade extrema

   Sépsis precoce

   Hiperglicemia

   Canal arterial aberto

   Displasia broncopulmonar

   Hiperbilirrubinemia

   Anemia

   Hemagioma

   Hemorragia cerebral grau II

   Retinopatia da prematuridade 2/3

   Traqueomalacia

 

Procedimentos:

   Ventilação de alta frequência

   Antibióticos

   Cirurgia para fechar canal arterial

   Fototerapia

   Transfusões de sangue

   Alimentação parenterica

   Cirurgia a laser aos 2 olhinhos

   Broncofibroscopia

 

Os dias da minha mamã eram angustiantes: como dizem os médicos, cada dia na UCIN é diferente é viver um dia de cada vez,uma verdadeira montanha russa: um dia há uma evolução no bebê e outro uma métrica negativa. É difícil controlar as emoções nesse contexto, elas vão seguindo o mesmo curso: altos, quedas bruscas, curvas repentinas. Em um primeiro momento sentimos um medo absurdo, a palavra UCIN traz sempre uma conotação de gravidade e risco de morte. Depois que vemos todo o monitoramento e controle que lá existe, nos sentimos mais tranquilas, mas ao mesmo tempo impotentes.

 

Buscando algum conforto, passamos a entender todas as funções daqueles aparelhos e as métricas que demonstram a evolução do bebê, para tentar ter a ideia de que existe algum controle da situação, mas logo vemos que não temos.

A hora de vir para casa causou nos meus papás uma mistura de felicidade e medo, feliz por poder leva-me para casa para o meio dos meus irmãos, e o medo de nao consegui cuidar de mim,foram 4 meses de internamento, entre Faro, Portimão e Lisboa, em nome de minha família venho agradecer a todos que cuidaram de mim,todos fazem parte da minha história, hoje estou com 6 anos , 1,20 de altura, 19 quilos ,sei ler e faço o meu nome , única sequela fiquei cego do olho esquerdo.

Minha frase preferida:

Relaxa a vida é bela.

 

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